16 de ago de 2011

Seria apenas mais uma história, se não tivesse tocado a alma.

Sonhava tanto com aquele momento. Havia criado e recriado aquela cena centenas de milhares de vezes.
O clima, as palavras, as expressões... Tudo havia sido estudado detalhadamente.
Como uma bagagem em que se arruma cautelosamente no dia anterior à viagem, tudo estava em seu devido lugar.
Olhos brilhando, coração aos pulos...  Será que finalmente a revelação seria feita?!
Já havia facilitado esse acontecimento em diversas circunstâncias. Não tinha coragem para o primeiro passo, mas a partir dele estava pronta para todos os demais.
Recuou em outras tantas oportunidades. Mas, convencida de que o momento certo ainda não havia chegado... Calou, chorou e se desesperou... Por fim, optou pelo tempo – o melhor remédio de todos – pensou e repensou – talvez não fosse tão bom assim, retrucou, mas deixou.
O momento era aquele. AQUELE!! Repetia para si mesma a cada minuto de incerteza, a cada minuto de espera.
Quantas cartas escritas e rasgadas... Quantos e-mails digitados e deletados... Quantas ligações feitas e caladas... Arrependimento?! Não sabia, talvez o sentimento não fosse bem esse.
Já o outro - o grande responsável por todo esse conflito interior - parecia disperso em seu mundo. Olhar distante, sorriso perdido...
Por fim... O momento!!! As palavras começaram a surgir, e uma a uma formavam as frases que tanto quis dizer. Acreditava nisso, esperava isso...
No entanto, o mundo e suas surpresas... O outro, e seus enigmas!!!
Em seguida, vivenciou o que sempre havia temido... Palavras se convertendo em frases, e frases em textos terríveis, que por sua vez, traziam uma mensagem que tanto temia, e que nem em seus piores momentos chegou a acreditar que pudessem ferir assim.
E apenas se defendendo da dor que sentia - o outro - dizia que não podia aceitar um amor que não soube se manifestar, que ficou sufocado pelo medo, que não superou o receio...
Levantou-se e partiu... Para sempre!! Para além de seus olhos...
Ela, lágrimas nos olhos, vazio no peito, desespero na alma... Desejava desaparecer!! Nem tanto pela despedida que fora obrigada enfrentar... E sim, pela pior covardia de sua vida: Esconder um amor.