30 de abr de 2011

Resenha do Filme "Rio"

Aqui estou para comentar um pouquinho com vocês sobre minha experiência (se é que assim podemos chamar) de telespectadora de mais um filme que retrata nosso país, "Rio" é uma animação dirigida por Carlos Saldanha (brasileiro) e escrita por Don Rhymer.
Quando vi pela primeira vez o trailer do filme fiquei super encantada e satisfeita por concluir que, por fim, alguém em sã consciência havia criado algo realmente descente sobre o Brasil.
Mal sabia eu, que essa minha satisfação seria eliminada logo depois do início do filme, que começa bem animado com cenas da cidade do Rio de Janeiro, e um bando de aves sambando (até compreensível, sabendo que se trata de uma animação), no entanto, a alegria dessas aves são logo interrompidas por caçadores que traficam animais.
A partir daí uma arara azul, ainda bebê, é levada para um país distante e gelado, e acaba sendo adotada por uma garotinha. Se passam 15 anos, e a arara juntamente com sua dona são convidadas para uma viagem ao Brasil com o intuito de salvar a espécie de araras azuis que só possui dois exemplares no mundo todo.
Convite aceito, e a viagem para o país gigante da América do Sul, é realizada.
Até aí meu senso crítico ainda estava só na observação, mas no momento em que passam os novos turistas (arara e sua dona) no Brasil, de frente com as praias da cidade maravilhosa, observando um bloco de pessoas sambando e entre elas uma mulher semi-nú, o que era observação passou a ser decepção.
Nada contra, se escolheram passar a história do filme bem na época do carnaval, mas por se tratar de uma animação infantil, bem que poderiam ter deixado alguns detalhes (como este da mulher semi-nú) de fora.
Depois disso as cenas que se seguem são: pessoas na praia, ou sambando, ou vendo futebol, ou roubando.. E pasmem, jogo da seleção em pleno o carnaval, algo que até então eu nunca tinha visto na vida. E enquanto o carnaval acontece nas ruas, pessoas em frente a televisão são capazes de matar um se forem interrompidos enquanto assistem o Brasil jogando.. Até parece!!
E então, chega a parte de apresentar ao mundo as favelas da cidade, e dizer a todos que as crianças negras (achei um preconceito muito grande) representadas por Fernando, um garotinho sem família; não são nada mais e nada menos que ladrõezinhos, que roubam o que lhes forem pedido por uns trocadinhos para sobreviverem.
E as florestas?!! sim, as florestas estão a todos os lados no filme, como se fosse tão acessível uma floresta em meio a cidade do Rio de Janeiro.. E os pássaros?! Bom, fazendo algo muito natural.. correndo pelo calçadão da cidade quase sendo atropelados por ciclistas... É, se a intenção era fazer com que os estrangeiros acreditassem que há pássaros correndo pelas praias, tenho certeza de que conseguiram, pena é descobrirem depois que isso não passa de uma mentira.
Hmmm e tem uma parte de funk também, mas aí já é muita coisa pra eu escrever, melhor deixar pra lá.
Concluindo.. Figurinha repetida!!! temas que todos já estão fartos de ver ou ouvir.
Claro, em se tratando de Brasil, esses são os temas que primeiro vem em mente, mas será que já não está na hora de mudarmos isso, mostrarmos as pessoas de fora que temos muito mais coisas interessantes para apresentar?!! Dizem, que para os que não conhecem algo ainda, o que lhes mostramos é o que lhes serão acreditados. E isso é muito sério!!!!! Somos um país com muito mais qualidade.
No mais, é assistir e chegar a sua própria conclusão, e como nada na vida é 100% bom ou 100% ruim, temos a oportunidade de nos deliciar com as imagens do filme: o cristo redentor, o pão de açucar e os bondinhos, a praia... Também temos a nosso favor a trilha sonora, com músicas brasileiras bem conhecidas, enfim, há os momentos em que podemos até nos sentir orgulhosos por ver este filme, raros momentos, mas eles estão lá, só não olharem com olhos tão críticos quanto os meus.. haha!!!!   

3 comentários:

  1. Parabéns!Você me parece ser uma pessoa muito inteligente. Mesmo sem lhe conhecer te admiro. Parabéns novamente!

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  2. Concordo plenamente. Chega de Zé Carioca, chega de Arara Blu...

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  3. Perspicaz, gostei do texto. O filme não passa de mais um esteriótipo.

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