8 de jan de 2012

As Palavras...

As palavras eram sua melhor companhia. Descobriu as num dia, folheando certo livro adormecido e há anos esquecido num cemitério de palavras. Elas lhe sorriram, lhe tocaram timidamente e lhe permitiram sonhar, descobrir novos mundos... viajar!!!
Daquele dia em diante soube que não poderia seguir sem elas, e embora lhe trouxessem calafrios, não conseguiu deixá-las para trás.
Regozijou-se milhões de vezes com o que lhe diziam. E em tantas outras, experimentou seu gosto mais amargo, ou mesmo seu calar mais sufocante.
Um dia decidira que não mais seria governada por elas. Estudou, pesquisou, buscou, e com leituras estafantes, achou que agora as liderava. Se enganou!
Acercando-se delas, sentiu exalar seus segredos mais profundos... Foram capazes de transformar o mundo, destruir impérios inteiros, desbancar nações poderosas, amaldiçoar vidas para sempre, ou uni-las para além da eternidade... Teve medo, e por vez, intensa paixão.
Em certa ocasião, agarrou-as, embrulhou-as em uma caixa de presente revolta por um lindo laço e entregou-as ao ser amado como prova de seu mais puro e verdadeiro amor. No entanto, elas, as palavras, não são nada domesticáveis, e forçadas a escreverem algo a quem não sabia lhes compreender, deixaram se levar pelo ar, e escorregaram para o chão - como água lançada a terra - desapareceram com sua interpretação para sempre, para distante de um infeliz amor não compreendido.
Hoje, ela senta com elas em seu colo. As acaricia com seus dedos. As deixa pousar ali, entre um espaço em branco e pontos a separá-las. Aprendeu a brincar com elas. Sabe que não poderia viver sem suas eternas amigas, mesmo que não consiga dominá-las por completo. Sabe que muitas vezes não será capaz de entender o que suas entrelinhas querem dizer. Sabe que, embora lhes façam sofrer inúmeras vezes, sem elas o sorriso jamais voltaria ao seu rosto e a felicidade jamais bateria a sua porta.
Seu dilema - de ontem, hoje e talvez sempre - se converte em saber usá-las no momento certo, e da maneira correta.
Elas, as palavras, apenas observam. Com uma amiga a lhes conceder vida, elas traçam seu destino.