30 de jul de 2010

Eu "Te amo" não é "Bom dia"

               A palavra "amor" foi tão banalizada, que as pessoas a dizem para tudo e para todos. Hoje se diz a frase "Eu te amo" com muito mais frequência que "Bom dia", uma estatística positiva, se tal utilização não trouxesse consigo o ponto negativo. As pessoas estão dizendo esta frase de forma artificial, apenas por interesses, para que possam, de certa forma, conseguir alguma coisa em troca.
             O dicionário define, entre outras, a palavra amor como "Sentimento que predispõe alguém a desejar o bem de outrem". Então por que as pessoas que hoje dizem "Eu te amo", amanhã nem sequer se lembram de nos fazer uma ligação para saber se ainda estamos vivos, e muitas vezes elas já estão distante, dizendo "Eu te amo" para outras pessoas?
             Não podemos dizer que amamos alguém, quando nem sequer conhecemos esta pessoa. Um artista não pode amar todos os seus fãs, alguns que começam a fazer parte de sua vida, até pode ser, mas não todos. Não é possível.
            Não podemos amar um lugar onde jamais estivemos, podemos admirá-lo, respeitá-lo, mas não amar algo que é desconhecido para nós.
            Assim, chegamos a conclusão que a palavra "amor", está sendo utlilizada no lugar de outras que deveriam representar tais situações, dificultando, dessa forma, a identificação daqueles que a estão utilizando no seu real sentido.
             A palavra amor representa o sentimento mais bonito que pode existir entre as pessoas. Para usá-la deve haver fatos, sentimentos, desejos, delírios, desafios, loucuras... É muito triste ver que a usam sem responsabilidade, sem, exatamente, quererem expressar o seu verdadeiro significado.
             Onde o amor é expressado apenas com palavras, jamais ele conseguirá forças para seguir em frente, por isso, hoje há tantos fins de relacionamentos.
             Se não ama de verdade, não o diz, e se tem dúvidas sobre este sentimento, espere. Não podemos ser falsos, e nem contribuir com a banalização dessa palavra tão importante, e que representa o mais bonito sentimento. Por isso diga NÃO a quem diz "Eu te amo" sem realmente amar.

16 de jul de 2010

Ahhh... O Amor!!

              Em um belo entardecer, dois jovens sentados no banco de uma praça, observavam o vai e vem de pessoas, que apressadas, retornavam para suas casas após mais um dia de trabalho.
             Seus olhos, buscavam algo, receiosos, olhavam interrogativos por todos os lados. De repente a menina foi tomada de súbita surpresa, ao ter sua mão tocada pelas mãos daquele rapaz, que antes de fazer tal gesto, exitou várias vezes, chegando a ponto de quase se levantar do banco e ir embora.
              Se existia medo, receio, vergonha... nada mais importava agora, suas mãos haviam se encontrado, e antes que qualquer força maior pudesse interferir na união daqueles dois seres, eles já estavam se olhando.
              Ah!! se ela soubesse, se pudesse ouvir o olhar, e se o olhar lhe bastasse, para saber o quanto ele a amava.
              Haviam se conhecido a algumas semanas atrás, num desses encontros inexplicáveis e inesquecíveis que a vida se encarrega de preparar.
              A primeira vez que se viram, não puderam conter o desejo indecifrável, representado por um rubor no rosto. Desde então, seus olhares eram os mais tímidos que tinham para as ocasiões.
            O jovem, sentiu-se completamente atraído pela moça, não conseguia mais tirá-la de seus pensamentos e a amava desde o nascer, ao pôr do sol; e a noite, a tinha em seus sonhos mais fascinantes.
              Alguns dias mais tarde, ele, revestido de coragem, entregou a moça um bilhete, onde deixava claro um convite para que ela comparecesse ao seu encontro, numa praça.
             Com as mãos trêmulas, ela recebeu o convite, e, ao lê-lo, percebeu que seu coração pulsava descompassado. Quanta felicidade! Seu amor estava sendo correspondido.
              Ele, chegou cedo a praça, sentou-se no primeiro banco que avistou, pois suas pernas tremiam tanto que pareciam estar em sintonia com seu coração, que de tão acelerado, podia bem representar a batida da bateria de uma escola de samba.
              Ela, chegou apressada, olhando por todos os lados, um olhar tanto quanto curioso e assustado. Foi então que ali, bem na sua frente, avistou o rapaz sentado no banco. Com o olhar baixo e as mãos suando como nunca, ela se aproximou do banco e sentou-se ao seu lado.
              Uma eternidade, se pareceram os minutos que sucederam após o encontro, até que suas mãos se tocaram e seus olhos se olharam.
              Ela, titubeou pronunciar algumas palavras, mas a voz saiu temerosa e ela desistiu. Ele, estava em completa luta com o seu interior, queria gritar que a amava, que desejava tê-la em seus braços para sempre, mas como explicar o que sentia numa situação dessas? Calou-se.
              Porém, suas almas haviam se encontrado, e seus olhares falavam por si. Os olhos da menina se encheram de lágrimas, não podia mais conter aquele sentimento, era algo tão inovador para ela, parecia que alguém apertava seu coração e antes que as tais lágrimas começassem a rolar por sua face, ela decidiu que o melhor a fazer era sair dali, tirou sua mão de entre as mão do rapaz e ameaçou levantar-se, e teria o feito se não estivesse sido contida por um olhar suplicante do seu mais recente amado, e antes que ela pudesse explicar tal desconcerto, foi tomada de súbito por um beijo.
              Sim, um beijo, suas bocas se encontraram, e naquele instante mágico, parecia que o mundo inteiro havia parado para assistir a mais bela apresentação de um amor genuíno. De audição, só suas respirações ofegantes e a pulsação de seus corações, agora mais próximos do que nunca, agora mais apaixonados do que antes.

       (...)



              Há algum tempo eu havia escrito essa histórinha romântica (acho que posso chamá-la assim). Pensei, pensei, e decidi postá-la aqui.
              Acredito que muitos gostariam de viver um amor assim, sincero, genuíno, simples... Mas infelizmente, o amor na teoria é muito mais fácil do que na prática.
              Espero que gostem, e se não gostarem, paciência, por favor (é a primeira história que escrevo, pelo menos, a primeira que tenho coragem de mostrar para vocês... hehe!!)

15 de jul de 2010

Eu, Brincando de Poetisa!!

A menina sorriu ao perceber a brisa do vento tocando o seu rosto;
                          
A menina sorriu ao sentir o perfume das flores que vinha dos campos naquele início de primavera;

A menina sorriu ao ouvir o canto dos pássaros que celebravam mais uma bela manhã;

A menina sorriu quando foi tocada pelo calor do sol;

A menina sorriu ao ser recebida por cantigas infantis que saiam em coro da boca de crianças que brincavam ali perto;


A menina sorriu... A menina sorriu...  E mesmo que seus olhos estivessem impossibilitados de ver todos aqueles seres responsáveis pelas suas melhores emoções... Ela sorriu!

O sorriso? Um agradecimento, por ter compreendido que os melhores sentimentos, são invisíveis aos olhos.

10 de jul de 2010

A Janela da Alma... Os Olhos!

              Estava eu em um circular, o destino, a rodoviária, indo comprar passagens para uma viagem à casa dos meus pais.

              Quando faltavam uns dois pontos para eu descer e estávamos bem no centro comercial da cidade, o ônibus parou para que algumas pessoas descessem. Neste momento, uma mulher, não muito jovem e nem tão senhora, me chamou a atenção, pois ao seu lado havia um garotinho, nos seus 3 ou 4 anos de idade. Esta mulher estava ali parada, na esquina, vendendo balas, tinha uma roupa muito velha, e um rosto bastante cansado, e o garotinho estava usando uma roupinha de frio, também bastante gasta.
              Quando olhei para aquela criança, o que mais me chamou a atenção foi o seu olhar, seus olhos tinham um brilho espetacular, e ao encará-los tive a impressão de que olhava para uma fonte de água que, tocada pelo sol, nos transmite a sensação de que milhares de pequenos diamantes estão ali. Neste exato momento, os meus olhos se encheram de lágrima, e pedi com todo o meu coração que Deus cuidasse daquela criança, que olhasse por ele e por sua mãe, que não o deixasse ter uma vida de sofrimento por sua classe social, que seu coração fosse generoso, e que pessoas ruins não interferissem na sua formação pessoal.
             A mulher, no seu ofício, tentava chamar a atenção das pessoas para que comprassem suas balas, muitas pessoas passavam e simplesmente a ignoravam, não olhavam para ela, e ao seu pedido para que comprassem um pacotinho de bala, nem sequer lhe balançavam a cabeça para dizer que não queriam. Me vi frente a uma pessoa que estava ali com seu filho, sendo ignorada, comecei a me perguntar, como podem ignorar um ser humano daquela forma? Como podem fazer de conta que não veem uma pessoa que está buscando uma forma de ganhar sua vida dignamente? Será que seria uma tarefa muito árdua olhar para a mulher e dizer-lhe que não queriam comprar as balas?
             Bom, não me arrisco a dizer o que penso acerca do motivo pelo qual a ignoravam, mas numa sociedade preconceituosa como a nossa, posso chegar a algumas conclusões.
             Enquanto o ônibus começou a se mover, eu comecei a pensar nas milhares de crianças que, como aquele garoto, têm uma vida tão nova, mas já trazem consigo um fardo tão pesado... a pobreza.
            Que dura realidade tem que enfrentar uma criança que nasceu numa classe social desfavorecida, não ter o brinquedo da moda, não poder brincar porque tem que ajudar seus pais; trabalhando, pedindo esmolas, e muitas vezes roubando. Não culpo estas crianças, tampouco os seus pais que foram crianças como elas, mas sim a nossa sociedade que é muito bem representada por pessoas, como aquelas, que passaram naquela esquina e ignoraram aquela mulher que vendia suas balas dignamente.
            Bom, para concluir o meu texto, quero que saibam que voltei da rodoviária para o centro comercial a pé, e passei pela mulher com o garotinho, ela me ofereceu a bala, eu parei, olhei bem para o seu rosto, dei um sorriso e disse "dois pacotinhos, por favor!" ela me entregou, eu perguntei quanto custava e entreguei o dinheiro a ela; me virei e dei mais uma olhada para o rosto do garotinho que sorria, agarrado a blusa da sua mãe; tinha um sorriso lindo e os seus olhos, que olhos, pareciam que brilhavam ainda mais, agora vistos de perto... Sua mãe me disse "Deus abençoe."; e eu respondi "Amém. Deus lhe abençoe também."
           Assim, continuei minha caminhada, pedindo a Deus mais uma vez pela vida daquele menino, da sua mãe, dos que passaram e os ignoraram, dos que passaram e compraram suas balas, enfim, pedi a Deus por todos os seres humanos.