10 de jul de 2010

A Janela da Alma... Os Olhos!

              Estava eu em um circular, o destino, a rodoviária, indo comprar passagens para uma viagem à casa dos meus pais.
              Quando faltavam uns dois pontos para eu descer e estávamos bem no centro comercial da cidade, o ônibus parou para que algumas pessoas descessem. Neste momento, uma mulher, não muito jovem e nem tão senhora, me chamou a atenção, pois ao seu lado havia um garotinho, nos seus 3 ou 4 anos de idade. Esta mulher estava ali parada, na esquina, vendendo balas, tinha uma roupa muito velha, e um rosto bastante cansado, e o garotinho estava usando uma roupinha de frio, também bastante gasta.
              Quando olhei para aquela criança, o que mais me chamou a atenção foi o seu olhar, seus olhos tinham um brilho espetacular, e ao encará-los tive a impressão de que olhava para uma fonte de água que, tocada pelo sol, nos transmite a sensação de que milhares de pequenos diamantes estão ali. Neste exato momento, os meus olhos se encheram de lágrima, e pedi com todo o meu coração que Deus cuidasse daquela criança, que olhasse por ele e por sua mãe, que não o deixasse ter uma vida de sofrimento por sua classe social, que seu coração fosse generoso, e que pessoas ruins não interferissem na sua formação pessoal.
             A mulher, no seu ofício, tentava chamar a atenção das pessoas para que comprassem suas balas, muitas pessoas passavam e simplesmente a ignoravam, não olhavam para ela, e ao seu pedido para que comprassem um pacotinho de bala, nem sequer lhe balançavam a cabeça para dizer que não queriam. Me vi frente a uma pessoa que estava ali com seu filho, sendo ignorada, comecei a me perguntar, como podem ignorar um ser humano daquela forma? Como podem fazer de conta que não veem uma pessoa que está buscando uma forma de ganhar sua vida dignamente? Será que seria uma tarefa muito árdua olhar para a mulher e dizer-lhe que não queriam comprar as balas?
             Bom, não me arrisco a dizer o que penso acerca do motivo pelo qual a ignoravam, mas numa sociedade preconceituosa como a nossa, posso chegar a algumas conclusões.
             Enquanto o ônibus começou a se mover, eu comecei a pensar nas milhares de crianças que, como aquele garoto, têm uma vida tão nova, mas já trazem consigo um fardo tão pesado... a pobreza.
            Que dura realidade tem que enfrentar uma criança que nasceu numa classe social desfavorecida, não ter o brinquedo da moda, não poder brincar porque tem que ajudar seus pais; trabalhando, pedindo esmolas, e muitas vezes roubando. Não culpo estas crianças, tampouco os seus pais que foram crianças como elas, mas sim a nossa sociedade que é muito bem representada por pessoas, como aquelas, que passaram naquela esquina e ignoraram aquela mulher que vendia suas balas dignamente.
            Bom, para concluir o meu texto, quero que saibam que voltei da rodoviária para o centro comercial a pé, e passei pela mulher com o garotinho, ela me ofereceu a bala, eu parei, olhei bem para o seu rosto, dei um sorriso e disse "dois pacotinhos, por favor!" ela me entregou, eu perguntei quanto custava e entreguei o dinheiro a ela; me virei e dei mais uma olhada para o rosto do garotinho que sorria, agarrado a blusa da sua mãe; tinha um sorriso lindo e os seus olhos, que olhos, pareciam que brilhavam ainda mais, agora vistos de perto... Sua mãe me disse "Deus abençoe."; e eu respondi "Amém. Deus lhe abençoe também."
           Assim, continuei minha caminhada, pedindo a Deus mais uma vez pela vida daquele menino, da sua mãe, dos que passaram e os ignoraram, dos que passaram e compraram suas balas, enfim, pedi a Deus por todos os seres humanos.

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